segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Carioca


Creio que nasci no lugar certo, mas no período errado. Eu sou carioca da gema, nascida no Hospital militar Marcílio Dias. Vim ao mundo em uma década cheia de novidades, talvez por isso eu seja tão “pós-moderna” como diz uma amiga minha! A década de 80 foi o período onde a cultura pop foi altamente disseminada, foi quando a música eletrônica ganhou identidade, quando surgiu o New Order após a morte de Ian Curtis, e entre outros artistas, a Rainha Madonna e a tão maluca Cindy Lauper. Cresci nos anos 90, ouvindo grunge e me viciando cada vez mais nas novas tecnologias, a primeira vez que entrei na internet eu tinha somente 11 anos, era 1998, e o que eu mais gostava de fazer era ouvir Spice Girls, eram tempos de MIrc e Zipmail, e eu ainda era apenas uma criança quase “comum”, a não ser pelo fato de viver brincando de me tatuar e de roubar cigarros da minha mãe, além de beber cerveja escondida, mais isso é outra história...or not!

Bem, eu cresci, virei blogueira, designer, baterista, aspirante a tatuadora, aprendi a fumar e a beber, matei aula, aprendi que Beatles não era só aquela coisa bonitinha, mas que eram muito mais legais quando sentiam aquilo embaixo da pele...enfim... eu comecei a enxergar o mundo. Enquanto meus irmãos estudavam para serem alguém na vida; meu irmão é professo de física e minha irmã assistente social; eu gastava meu tempo pintando quadros e discutindo arte em botecos, aprendi a tocar violão, por que minhas poesias precisavam de companhia, e as apresentei as melodias.

Agora vou chegar no ponto onde quero. Eu, mulher de 22 anos, não me importo em terminar em uma vala qualquer, vejo as coisas de perspectivas diferentes. Tipo, acho que eu deveria ser uma malandra carioca, porém, trocando o chapéu por algo mais fashion e o sapato preto e branco por uma melissa! Eu aproveitaria o charuto! Assim como esse tal estereótipo, eu também não acredito no trabalho como um modo de vida confiável, mas já que não tem outra escolha, prefiro fazer algo que eu realmente goste, do que fazer algo apenas por dinheiro. Eu quero aquela tal liberdade, quero ouvir Chico enquanto bebo o meu chopp e jogo conversa fora com meus amigos, pois na verdade todos acabamos no mesmo lugar, só o caminho que é diferente, e se for pra escolher, sim, prefiro assumir minha malandragem carioca!


imagem: rê caraih

6 comentários:

  1. Nossa! Realmente me emocionei com esse post...simplesmente consegui te ver ao ler as suas palavras.
    Mas o incrível é que se mais pessoas acreditassem nessa filosofia o mundo seria muito melhor, menos cruel com o diferente.

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  2. Vivendo na malandragem.. é a melhor forma de viver. Tolos os que não percebem.

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  3. "... pois na verdade todos acabamos no mesmo lugar, só o caminho que é diferente..."
    #FACTOOOOO


    u.u

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