terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pontos de Experiência


De alguma forma as coisas se perderam, e o que era para ser tão belo e colorido foi desbotando a ponto de ficar sem cor. Talvez pela perda de luz, pela perda daquele calor reconfortante. Ao colocar pela primeira vez os pés onde seria meu lar, senti que de alguma forma, a partir daquele momento eu iniciaria uma grande batalha, não com alguém ou algo, mas comigo mesma. Nunca pensei em viver de heroísmos ou aventuras, meu único objetivo sempre foi provar a mim mesma o quão longe podia chegar. Acho que os anos em que joguei RPG me inspiraram a nunca desistir, mesmo que você não tenha sorte ao rolar os dados, no final você sempre vai ganhar pontos de experiência.
Creio que em toda aventura, pior do que se ferir durante as lutas é perder um amigo para o lado adversário. Porém, todo grande guerreiro sabe que lealdade se prova com atitudes e não com palavras e que todos podem ter seus momentos de fraqueza diante as adversidades que o mestre impõe. Perder seu companheiro de aventuras é doloroso, mas pior que isso é se deixar vencer por medo de continuar lutando. Minha lealdade se mantem firme, meu coração continua aberto. Diferente do início, agora ando por terrenos desconhecidos e enevoados, mas isso não quer dizer que não alcançarei o meu objetivo. Ninguém disse que seria fácil, também nunca esperei que seria. Em todo caminho há perdas, mas também há ganhos, aqui se "perde" um amigo (mesmo que naquele capítulo), mas se ganha outros tantos. Essa história nunca foi só minha, mas sim de todos que ficaram ao meu lado em vários momentos.
De algum forma as coisas se perderam... para eu finalmente me encontrar.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Uma nova esperança (e não é Star Wars!)


Essa semana tive uma experiência nova. Não, não usei drogas e nem fui em um puteiro ou algo parecido. Fui a um analista. É, um psicólogo. Nunca pensei que um dia precisaria, logo eu que sempre fui minha própria analista, ficava na frente do espelho, olhando nos meus próprios olhos em busca de respostas. Mas as vezes, por mais que tentemos enxergar, tudo parece estar encoberto por uma névoa densa, espessa e escura. Cheguei meia hora antes, a ansiedade me correndo por dentro, fiquei lá esperando até o analista aparecer. Fiquei minutos olhando o dispositivo ante incêndio e imaginando como seria se eu acendesse o isqueiro (que eu não tinha). Caos. Sim, seria um caos, um prédio de dezenove andares sendo evacuado por nada. E é exatamente assim que está a minha cabeça. Um caos, precisando ser esvaziado por absolutamente nada. Não que meus problemas sejam nada, mas a causa deles é, e nem deveria significar algo para alguém como eu.

Exatamente às sete começou a sessão, eu simplesmente não sabia o que falar, me senti no primeiro episódio de Adorável Psicose, quando a Natália Klein diz estar nervosa, que parecia primeiro encontro. De fato, é o que pareceu. Ele me perguntou se eu já tinha feito análise, "não", eu respondi. Perguntou a causa de eu estar indo, depois daí só foram lágrimas, é, eu choro também. Aliás, fazia tempo que eu não colocava pra fora tanta coisa. Conversamos sobre meus sentimentos e sensações, ele quis saber como eu me sentia com tudo o que está acontecendo. "Não sei", mais uma vez respondi e logo completei, "As vezes sinto ódio, as vezes amor e em certos momentos eu consigo bloquear e me sentir vazia. Mas é muito ruim essa sensação de vazio, de não sentir nada, mas não sei o que é melhor". Falei tudo o que tinha pra falar, fiquei olhando pra ele e ele pra mim, aqueles segundos pareciam eternos, ai senti mais uma crise de ansiedade se aproximando. "Respira" disse ele, parecendo que sabia o que iria acontecer. "E o quê você está sentindo agora?". "Ansiedade" disse eu. "Respira."
Depois de ficarmos ali algum tempo, fui me acalmando e realmente, a ansiedade passou. Mas a medida que contava toda a minha situação, aquele sentimento de revolta continuava a me desgastar.

"Aqui é um momento seu, pra falar de você" afirmou ele franzindo a sobrancelha. De fato, naquela primeira sessão falei muito pouco de mim. Ele me perguntou se me sentia culpada, respondi que não, por que realmente não me sinto culpada, mas com uma parcela de responsabilidade. Saí de lá. Acho que essa terapia vai me ajudar. Se não der certo, talvez eu tente uma nova experiência e vá a um puteiro ou algo parecido!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

200

Há exatos cinco meses, tomei a decisão mais importante da minha vida, creio eu. Me mudar para o Rio de Janeiro. Eu não tinha dinheiro, só o lindo sonho de crescer profissionalmente em uma cidade maior. Apesar de ser carioca, fui criada em Belém, no Pará. por mais que a cidade não seja tão pequena assim, ainda é provinciana, fazer trabalhos de graça para projetos me renderam nome, mas nenhum saldo na conta bancária. Com a ajuda de alguns amigos comprei minha passagem somente de ida, já que minha familia se opôs a minha mudança. Pela primeira vez em 25 anos de existência, eu estava fazendo algo por mim mesma.
Durante esses meses desde que cheguei, morei com uma "amiga", infelizmente não deu certo. Agora estou a procura de um lugar, alguém para dividir um apartamento. A questão de eu estar escrevendo sobre isso, é que durante essas duas semanas cogitei várias vezes voltar para Belém, eu tinha tudo lá. Será que vale realmente a pena se sacrificar por um sonho? Depois do desespero, de contrair uma gastrite nervosa e ter ataques de ansiedade, comecei a perceber que vale sim. Cheguei no Rio de Janeiro com 200 reais no bolso, a agência em que eu trabalhava quando cheguei aqui fechou, mas eu consegui um emprego melhor, que mesmo que me estresse, que não me dê uma vida de luxo, é por onde estou começando a escrever um capítulo novo na minha carreira como Designer e Diretora de Arte. Vale a pena por que escolhi uma família chamada Sugar Loathe Derby Girls, por quem me apaixonei. Então, vale muito a pena alguns sacrifícios. Meu sangue nordestino não nega, nunca me ensinaram a desistir,mas sempre aprendi que a estrada em que pisamos, somos nós mesmos que devemos construir. Posso ter cometido meus erros, com eles aprendi muito. Mas como toda boa sagitariana que se preze, sou uma otimista convicta, sempre enxergo o melhor, até mesmo nos momentos difíceis.
Acho que na verdade, eu estava precisando disso tudo, precisava acordar, abrir os olhos e perceber que estava me acomodando. Então muito obrigada. Por que agora, decididamente, ninguém pode me deter! Que venha o que tiver que vir. 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Não vale a pena!

As vezes acho a vida muito injusta. Mas acredito que as coisas acontecem no momento que devem acontecer, nunca acreditei em acaso, não que tudo fique somente nas costas do destino. Sei que temos escolhas, e que essas escolhas podem determinar onde e quando iremos chegar. Porém, durante esse percurso muitas vezes fadigante, tudo parece muito injusto. Como se Deus tivesse se cansado de você e tivesse criado um labirinto interminável e cheio de armadilhas, onde muitas vezes é ''matar ou morrer''. 
Cresci ouvindo meu pai falar, "Minha filha, ninguém dá o que nunca teve" e "Plante o Bem hoje, para colher amanhã", sábias palavras do Seu Henrique. Essas duas máximas praticamente regem a minha vida. Sempre as trago na minha cabeça, principalmente em momentos de dificuldade.
Não sou o tipo de pessoa que guarda mágoa, mas as vezes é inevitável... E horrível. Quase como um gosto amargo na boca, engolindo tudo secamente. Mas saibamos tirar proveito até das coisas ruins. Briguei com a minha melhor amiga 2 vezes, deixamos de nos falar uns 4 meses, nos evitávamos, virávamos a cara, as duas feridas por dentro, morrendo de saudade, mas o orgulho não deixava a gente dar o braço a torcer. Até que um dia resolvemos nos perdoar e percebemos que éramos muito mais amigas do que pensávamos ser. No final foi bom, somos amigas, melhores amigas até hoje, por que sei que posso contar com ela e ela sabe que pode contar comigo, mas foi necessário sentirmos aquele gosto ruim na boca.
Porém, cada situação é diferente da outra. As vezes nem vale a pena sentir mágoa, as vezes é melhor deixar que a pessoa se vá e não olhar para trás. É, acho que esse foi o grande ensinamento do meu pai, só que aplicado. Ninguém pode ser amável se não ama, ninguém pode ser bondoso se não é bom. E ninguém, por melhor que seja a intenção pode mudar outra pessoa se esta não está disposta a mudar. É por isso, que depois de aprender da forma mais amarga possível, percebi que algumas pessoas simplesmente não valem a pena. E como toda boa história dá em música, acho que não tem música que descreva melhor todo esse episódio do que "Não vale a pena" na voz da Maria Rita. E como ela mesma canta "Que é uma pena, mais você não vale a pena, não vale uma fisgada dessa dor."

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Descontrolada

As vezes é absurdamente difícil ter controle de si mesma. Até um tempo atrás, pensava eu ser uma pessoa controlada, não que eu seja neurótica ou algo do tipo, mas as vezes perdemos o controle por nos controlar demais. Ok, isso parece um tanto irônico e insano, mas para mim, pessoas muito controladas, aquelas que não explodem de vez enquando, são as com quem devemos nos preocupar. Conheci muitas pessoas assim até agora, algumas mais e outras menos incoerentes, pessoas essas que se fechavam em um sua própria redoma de vidro e ficavam lá, implodindo. Sim, elas implodem, se auto flagelam físico e psicologicamente. Geralmente elas acham que estão no controle de tudo, mesmo que não estejam.
As vezes o descontrole é necessário, ninguém consegue ser 100% são durante a vida toda, por que no mundo em que vivemos, ser são é uma porta aberta para a loucura. Você que está lendo isso pode até discordar de mim, talvez eu mesma discorde daqui há mais ou menos 20 minutos, somos todos passíveis de mudanças, justamente essas mudanças que nos possibilitam sermos várias pessoas em uma só. Todos nós temos um diabinho e um anjinho dentro de nós, só que nem sempre eles são quem parecem ser, por que as vezes, o anjo pode ser muito mais cruel do que podemos imaginar.
O que isso tem haver com o auto controle? Muito!
Confesso ser uma pessoa bastante ingênua, costumo confiar e esperar demais das pessoas, até que elas me provem o contrário. Geralmente elas conseguem fazer isso e infelizmente eu continuo confiando e esperando delas até perder as forças. Tenho uma atração enorme por pessoas vazias, talvez seja por que eu transborde. Não, não creio ser melhor que ninguém, mas tenho plena consciência de quem eu sou e de até onde eu posso ir, não faço nada além do que eu não possa suportar e enfrentar de peito aberto. Mas não sou perfeita, e depois de aguentar muito eu sempre explodo, com mais ou menos intensidade, ai é como vomitar todos os maus sentimentos e ferir quem eu tiver que ferir (não fisicamente ok?), mas isso é o que me mantêm equilibrada, por que sempre depois de uma grande explosão, podemos ver surgindo novos sentimentos e oportunidades, diga-se de passagem o big bang, não que tenha sido tão bom, por que acabou nos criando, não que isso tenha sido bom, pelo menos não para o universo. 
Se algum dia eu feri você, isso serve para minhas ex namoradas, amigos e qualquer pessoa com quem eu tenha explodido. Eu não me arrependo. Você mereceu e eu mereci ter a oportunidade de recomeçar... enquanto você ficou ai... controlado!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Eu não acredito em poesia


Eu não acredito em poesia. Mas já escrevi. Há muito tempo atrás, quando eu acreditava em amor. Quando não o conhecia. Quando ele não passava de utopia de um romântico qualquer... Eu escrevia poesia. 
Escrevia por aquele amor platônico pela professora de Língua Portuguesa ( que estaria decepcionada certamente se lesse este blog cheio de erros), escrevia pra garota popular do colégio que me tratava como merda por que eu era a nerd da sala e costumava transformar minhas divagações adolescentes em poema, por que naquela época eu não tinha contas para me preocupar, nem uma casa para manter e também era mais prático usar da licença poética para não ter que usar a pontuação de forma correta... Coisa que não faço até hoje.
Confesso que atualmente não consigo ler nem um bom poema sem achar um saco; desculpe-me Camões, Neruda e milhões de poetas que deixaram as mais doces palavras de amor eternizadas. Talvez seja por que eu tenha perdido a capacidade de acreditar. "Amor é fogo que arde sem se ver"... mais uma vez peço perdão ao poeta português, por que para mim esse sentimento se assemelha mais as palavras de Augusto dos Anjos, "O beijo, amigo, é a véspera do escarro". É muito mais real, é muito mais humano.
Amor dói, fere e amarga o beijo mais doce com mentiras bobas. Isso é amor? Por que é isso que leio nas entrelinhas de cada verso. Que diabos de sentimento é esse que nos destrói? Que nos implode e divide?
Poesia é como se cortar com papel afiado. Sangra e derrama... E no final acabamos todos manchados.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Sobre a importância das coisas



Diga-se de passagem, que o ser humano não passa de um poço de egocentrismo barato. Movido a desejos, este se deslumbra com coisas banais, capaz de lhe satisfazer por pouquíssimo tempo, negligenciando o que de fato lhe seria relevante.
Cegos, surdos e incapazes de raciocinar o verdadeiro sentido das coisas, de suas próprias palavras, ele se deixa levar por inúmeras situações, se auto rotulando, tolindo a si próprio. Delimitando seu próprio carcere diante ao que a sociedade (de que faz parte e ajuda a alimentar) lhe impõe como certo e errado. Não passam de marionetes de um sistema corrupto, que eles mesmos insistem em manter de pé, por pura hipocrisia ou talvez por medo de admitir seus próprios erros.
Como crianças amedrontadas em frente a um "pai" com o cinto na mão, estes preferem se ater as mentiras, à seus erros, e as máscaras que não retiram nem diante do espelho. É muito mais fácil não sentir culpa, quando começamos a acreditar em nossas próprias mentiras. Mantendo-se ignorantes diante ao que realmente importa, criando em suas cabeças seus próprios mundos, vamos caminhando assim, gritando ao mundo que o egoísmo não passa de auto proteção, e não de um câncer prestes a leva-los a óbito.