sábado, 18 de junho de 2011

R.

    

  Podem me criticar, como se eu fosse apenas uma meretriz hipocrita, mas posso  afirmar que hipócrita não sou,
é incrível como podem apontar o dedo e enumerar o defeito dos outros. Ando por aí procurando respostas para questões inexplicáveis, é quando percebo que mesmo que as horas passem, eu sempre carregarei um rótulo de menina má, sempre serei um coração de pedra.
      Mesmo que isso tudo não seja eu, mesmo que ninguém me enxergue como realmente sou, mesmo que tudo a minha volta seja somente realidade distorcida, não me importo em quebrar os paradigmas, em quebrar com tudo, pode ter certeza que não sou essa pedra fria. Me dê sua fé e verás o quanto posso fazer arder sua mente. Sou mais do que todos esperam, pena que só quem vê isso de fato sou eu.
     Continuo andando pelas ruas sujas e sentando na sarjeta enquanto não aparece algo melhor pra fazer, não espero que ninguém me ame, as sombras da noite já fazem isso, e a luz que entra pelas cortinas quando acordo em um lugar qualquer também.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Espanca

"A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente."
   Sábias palavras de Florbela*, ela que consegue me traduzir entre suas linhas, tão doce e amarga, talvez seja isso o que sou, talvez eu seja feita de dualidades, de pluralidades, deve ser por isso que todos os dias sou todos e não me encontro em ninguém. Penso que talvez se fosse mais corajosa, se parasse mais de me afogar em goles de bebidas baratas eu pudesse ser alguém, para alguém, mas não sou, nunca fui e talvez, se é que existe "talvez", nunca serei nada além de um borrão de tinta em uma página mal escrita.
   Afogo minhas mágoas, e como disse Frida, "as diabas aprenderam a nadar", e nesse momento consigo apagar 80% da minha solidão, seria ótimo se o restante não fosse auto piedade. Não sou nenhuma filósofa, sou apenas um ser pensante, em movimento, minha mente não pára, não mente, como orgasmos entre pernas de seda.




*florbela espanca



segunda-feira, 30 de maio de 2011

Quando eu era pequena, me pai falava que pessoas boas nunca ficavam sozinhas. Esse sempre foi o meu maior medo. De certo, não devo ser muito boa pessoa, aliás sou sempre eu e eu mesma, somente uma parte, a outra, se perdeu, e eu que nunca tive sorte, não à encontro.
Não devo ser boa pessoa.
Pessoas boas se sentem felizes, completas. Sou apenas um quebra cabeças faltando as melhores peças.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Sobre a menina no espelho.



E ela olhava. Olhava-me como se soubesse o que se passava dentro de minha alma. Como se entendesse tudo, todos os conflitos, e angustias que eu jamais contei a alguém. É assim, sorrimos para não chorar, bebemos para nos enganar. Porém ao deitar a cabeça no travesseiro, nos segundos entre dormir e estar acordado, tudo vem a tona, entra pelas veias como soro, e dói.
As vezes sentia que mesmo calada, ela gritava, e meus ouvidos, sem nem mesmo sentir uma única vibração sequer do ar, a ouvia. Nos seus olhos castanho, ela chorava, sem derramar uma lágrima. Mesmo assim... escorria. Eu trocava de roupa, de idade, de anseios. Ela se despia. Arrancava fora quase tudo que podia.
Quantas vezes a olhava, e mesmo a vendo, não enxergava. E meu ego explodia. Cada um cultiva o seu como quiser. Enquanto eu deixava o meu crescer, freneticamente ela se debatia. Eu queria enxergá-la, mas estava cega. Nos deslumbramos com tão pouco.
Os anos passavam. As horas corriam. 
E ela continuava a me olhar. Até que um dia eu acordei. Então pude notar, que mesmo com o passar dos anos, ela se mantinha sã. Entre gritos e berros, a louca era eu, que estava em silêncio.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Passagem.



As vezes queria que minha vida fosse mais fácil. Queria voltar ao passado e não ter perdido tanto tempo. Queria ter amadurecido mais rápido, talvez assim, eu não tivesse tanta responsabilidade em minhas costas. Não estou me queixando da vida. Ter responsabilidade é algo que vem no pacote quando nos tornamos adultos, junto com a "liberdade", essa que acabamos conhecendo só por nome, já que quase não sobra tempo para ela.
As vezes paro para analisar meus amigos de faculdade. A maioria é mais nova que eu. Apenas estudam, só vão para a aula de manhã, voltam para casa, almoçam, dormem... A responsabilidade é estudar, e a grande maioria só faz para conseguir nota, na verdade, decoram coisas para a prova. E mesmo assim, se queixam de cansaço, de pressão.Não, eles não sabem o que é isso.

As vezes queria ter passado por essa fase. Mas sei que seria como eles. Não sacrificaria meus finais de semana para estudar, não daria tanto valor as aulas, não veria o mundo como vejo. Fiz muitas escolhas, algumas erradas. Mas quando escolhi voltar a estudar, e trabalhar, sabia que teria que abdicar de muitas coisas. Não me arrependo. Foi a escolha certa.
Ultimamente nem escrever um soneto está tão fácil, já que meu coração permanece quase vazio. Eu disse quase... A questão é que quando você cresce, é cada vez mais difícil você sentir aquela sensação, de que algo te deixa vivo. Talvez um amor. E eu não tenho um. Além do meu.

Porém toda essa dificuldade, faz eu me tornar uma pessoa melhor a cada dia... As vezes, só as vezes, queria que minha vida fosse mais fácil.Ainda bem que isso passa...

quarta-feira, 30 de março de 2011

Vão



"É, as coisas costumam ser difíceis."
Pra falar a verdade, eu já fui bastante diferente. Há alguns anos eu costumava virar a cara para as coisas, colocava a culpa no "sistema", coisas de adolescente rebelde, acho que todo mundo passa por isso, quer dizer, algumas pessoas permanecem assim. Eu queria as coisas, apenas queria, eu não corria atrás, acha vaque uma hora as coisas iriam dar certo, e assim o tempo ia passando, manso, me deixando cada vez mais frustrada.

E ai a vida foi me dando surras, uma atrás da outra, me dando pessoas, que eu aprendia a amar e depois as tirava de mim. E foi me tirando outras coisas, inocência, preconceitos e coisas que me prendiam à um pensamento limitado. Naquela época, era revoltante, doía, não que não doa mais, dói, sempre dói. Triste daqueles que pensam que a vida é um sonho. Não que não possamos sonhar, alias... Devemos! É o que lá no fundo nos move.

Então depois de tantos tapas na cara, resolvi deixar de ser teimosa, me permiti crescer e ver as coisas de formas diferentes. Comecei a construir meus próprios sonhos... Não sei por que estou dizendo isso, é só uma reflexão. 

Talvez seja, por que em menos de 3 anos, passei de baterista de banda de rock, aspirante a tatuadora à designer tentando construir uma carreira. Já não tenho tanto tempo para fazer as coisas que gosto, já não consigo mas sair como antes, não tenho forças na maioria das vezes. Mas continuo a sonhar, e quando eu chegar onde eu quero, tenho certeza que lembrarei de onde eu sai, por onde eu passei e saberei que nenhuma perda ou sacrifício foi em vão.

Nada é!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Parecia filme



Parecia filme. Como aqueles de que tanto conversávamos. Parecia música. Como aquelas que costumávamos ouvir. Porém, parecia mais irreal do que todas as ficções que nos aprisionava em nossas mentes tão libertas. No fundo eu não queria que fosse verdade... Mas era. 
Lembro da primeira vez que nos falamos, naquela aula de informática básica, chata, que depois largamos sem exitar. No meu mp3 o que você mais gostava, "Don't go away", era assim a nossa amizade, sempre precisávamos de mais tempo, não queriamos ir embora. Quando tudo parecia perdido para mim, você estava lá pra me fazer acreditar, pra me tornar em poucas palavras, a pessoa mais otimista do mundo. Limpava minhas lágrimas, me fazia sorrir, e o melhor, riamos juntos, não, o melhor de tudo era você me chamando de "Caraihhhhhhh", e de você colocar meu apelido nos nossos trabalhos acadêmicos. Muito mais que um amigo, um irmão fiel e amável. Inesquecível.
Na minha formatura dediquei a música "Don't go away" a você. Você fez parte da minha vida, e continuará fazendo parte de mim. Pedi mais um amigo, ganhei mais um anjo da guarda. Sei que sempre estará comigo. Sempre.

Parecia filme. 



*Dedicado a Nivaldo Saraiva. (+ 25/02/2011)