quarta-feira, 4 de junho de 2014

Eu
Eu sou
Eu sou assim
Eu sou assim quase
Eu sou assim quase real
Eu sou assim quase realidade
Eu sou assim quase realidade, irreal

Em uma mesa qualquer



Em uma mesa qualquer de bar, 

ali te fitava os olhos,
ali me embebedava em sonhos.
E você, sem perceber,
ou talvez percebendo,
fez-me perder meus pudores,
esquecer outros amores,
enfrentar os meus medos.
Ali, 
diante de ti,
você me deixou nua,
diante de todos,
no meio da rua,
eu que mentia para mim mesma,
que fingia não sentir nada,
passei a ser tua.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pra não dizer Adeus


Talvez minha analista tenha razão, talvez eu seja forte mesmo, mesmo que as vezes eu acredite na minha fragilidade, na minha queda eminente. Talvez ela tenha razão.
Parte dessa força só existe por que sempre tive ao meu lado pessoas maravilhosas, entre família e amigos, que sempre estiveram lá pra me estender a mão quando eu mais precisava, ou simplesmente pra me abraçar quando eu não conseguia dizer nada. Eu sou dessas que se doa ao máximo quando gosto de alguém, daquelas que daria a vida pra salvar a de um amigo, sim, eu sou, e sempre há quem diga que eu deveria não ser assim, pois é arriscado demais. Eu prefiro confiar nas pessoas do que viver me protegendo delas. É, eu sou forte, por que tive a sorte de ter amigos verdadeiros do meu lado, mesmo que distantes, seja pelo tempo curto de nossas vidas, seja por quilômetros. Depositei uma parte de mim em cada um deles e eu sei que eles guardam com muito carinho. Mas ontem mais um pedacinho de mim foi embora, e hoje eu sinto esse vazio. É o quarto amigo de que me despeço, e nos últimos anos me despedir de quem eu amo tem sido algo corriqueiro. Mas não há como se acostumar.
É, a parte mais difícil de envelhecer não é o fato de você não se sentir tão bonito, ou por que você passa mais tempo de ressaca, ou por que temos vidas miseráveis onde temos que abdicar de nossas vidas reais por causa de trabalho, é por que simplesmente, quanto mais envelhecemos, mais vezes iremos ter que dizer aquela palavra que dói tanto dizer "Adeus". E mesmo que eu acredite em vida pós-vida, por mais que eu acredite que esse mundo é só uma escola passageira, dizer Adeus nunca vai ser fácil. Principalmente para essas pessoas a quem tive a honra de conhecer e tive a coragem certeira de depositar minha confiança. E dói. Já perdi quatro dos meus melhores amigos e pessoas da minha família que me tornaram quem sou hj. E as vezes quando eu paro pra pensar o quanto já cheguei perto de ir embora e eu tive uma segunda chance, eu não sei se agradeço ou se só aumenta o meu pesar por ter tido que dizer adeus a vocês.
As vezes acho que tô fazendo tudo errado, mas aí eu olho pra trás, pra minha história e vejo que se eu estivesse fazendo tudo errado como eu acredito as vezes, eu jamais teria tido a oportunidade de ter amigos como vocês.
Agora a única coisa que me resta é acreditar que a gente vai se encontrar em breve, e continuar amando cada um a quem preciso me despedir.
Talvez minha analista tenha razão, talvez eu seja forte mesmo...



Em memória do Brunão, por que tem amizades que realmente são eternas! Te amo, hoje e sempre.


quarta-feira, 26 de março de 2014

Queria escrever algo interessante!

Queria ter boas coisas para escrever sobre o mundo, mas agora, nesse momento, quase nada é bom o suficiente... Nem eu. Sei que daqui a dez anos eu irei ler esse blog e vou rir de todas as situações que aqui descrevi. Assim como leio os posts de 2009 e as vezes quero deletar ou simplesmente enterrar meu rosto, como um avestruz. Mas não, os deixarei no ar, pelo simples fato de que terei boas histórias para meus netos. Sobre como a avó deles viveu tudo intensamente, mesmo que quebrasse a cara as vezes.
A cada ano que passa percebo que a vida não se trata de chegadas, ela se trata de partidas, de lembranças, de marcas profundas que todas essas pessoas e histórias nos deixam. De fato, todos, em determinado momento nos deixam. Mas isso não anula o fato de que estiveram presentes, mesmo que por um breve momento.
A vida é uma droga. O que torna menos insuportável é justamente a presença de algumas pessoas. E as vezes, sem querer, encontramos pessoas que não queremos que saiam dela, mesmo sabendo que um dia sairão. Seja por qual motivo o for.
Tem quem não dê valor a isso, a esses pequenos momentos, àquela risada frouxa, às piadas bobas, ao "durma bem", ao "boa noite". Tem quem julgue besteira. Eu prefiro ser uma boba, do que deixar passar em branco a vida. Imagine que cada pessoa significante na sua vida seja uma cor... Imaginou? Quando você permite que elas se aproximem, quando você se permite conhecê-las... No final, você terá uma obra de arte.

sábado, 19 de outubro de 2013

Cheia de mim

Ainda não sei bem ao certo quando pisei no acelerador, peguei a estrada e deixei a mim mesma pra trás. Não sei quando meu antigo eu, romântico, sonhador, impulsivo se permitiu dar espaço para alguém tão controlada, tão segura de suas próprias verdades, que simplesmente esqueceu que as vezes é preciso de alguns porres para se ter boas histórias. Mas ao contrário de antes, não termino nem o primeiro copo.

Covarde. Me sinto uma covarde, tentando esconder minhas cicatrizes, minhas marcas. Com medo de me ferir novamente. Esse não é um texto de dor, pelo contrário, estou tentando escrever sobre a indignação comigo mesma. Fazia tempo que eu não lia meus antigos textos, cheios de vícios de linguagem, erros de digitação e três pontos. Cheios de mim. Enquanto os lia, me dei conta do quanto eu sentia, o quanto vivia. Agora o que resta é alguém cansada, um contra-cheque e algumas contas à pagar.

Costumava publicar aqui meus amores, minhas histórias, meus porres, minha alma. Mas já não tenho o que publicar, faz tempo que não bebo, que não perco minha sanidade, nem que seja por alguns minutos. Saudade de perder a sanidade, por um beijo, por um toque, por um desejo ou por qualquer coisa que fizesse eu me desprender do mundo por alguns segundos. Já não escrevo, por que estou sozinha, peguei a estrada e deixei a mim mesma pra trás. Não sei ao certo em que momento me desentendi comigo mesma, em que momento deixei de ser a pessoa em que acreditava, a ponto de me abandonar na estrada deserta da realidade.

Mas sei que a quero de volta, por que ninguém vive sem uma parte de si, ninguém pode dirigir milhas sem olhar pra trás. Mas quando olhamos e percebemos que algo nos faz falta, é hora de voltar ao ponto de partida, buscar o que perdeu e simplesmente recomeçar. De novo...

domingo, 21 de julho de 2013

Uma folha em branco

Sempre gostei de olhar para pessoas desconhecidas na rua e imaginar as milhares de histórias pelo que elas passaram, como são suas vidas, as alegrias, as tristezas e suas batalhas internas. De certo, somos guerreiros, provas irrefutáveis de que no final de toda guerra, sempre irá ter sangue derramado, suor e o sentimento de que foi feito o que deveria ser feito. Você pode pensar que carrega o mundo em suas costas, mas ninguém pode segurar uma espada sem que tenha força para isso.

Não gosto de viver minha vida como se fosse apenas “isto”. Como se não houvesse algo em que acreditar, como se o cotidiano fosse nosso maior dogma, como se além das estrelas só houvessem estrelas.
Ao nascer, somos como uma folha em branco, aí nossos pais nos dão tinta e pintamos o que bem entendemos. As cores que colocamos ali, as frases de amor ou de ódio, são somente responsabilidade nossa, e se de repente essa folha se romper, rasgar ou amassar, pode ter certeza que a culpa é somente sua. Mas se você for cuidadoso, otimista e pintar sua folha em branco com as cores mais vivas e excitantes que encontrar, pode ter certeza de que todos irão querer apreciá-la.
É exatamente isso o que gosto de procurar nos milhares de rostos em que presto atenção. Procuro pela obra de arte que há dentro de cada um. Me chame de louca. No fundo, acredito que todo ser humano, seja o que pintar... é um artista.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Um novo recomeço

Sinto que já vivi muito mais que meus conturbados vinte e seis anos. Certamente quem me conhece, os poucos que me conhecem de verdade, de forma mais profunda e intensa sabe do que estou falando. Infartei aos quatorze anos, ver a morte de perto muda muito as pessoas e essa experiência com certeza me mudou, no primeiro momento o desespero, achava que nunca iria chegar aos dezoito, doze anos depois aqui estou eu, escrevendo em um blog sobre mim mesma, contando minhas histórias de amores e desamores, de idas e vindas. Essa fase pós infarto fez com que eu quisesse viver tudo o que tinha pra viver, antes que meu tempo acabasse, foi uma fase caótica, de incertezas, eu não sabia exatamente quem eu era, mas sabia quem não queria ser. Experimentei o primeiro cigarro, formei minha primeira banda, durmi fora de casa sem avisar pela primeira vez, me assumi homossexual, militei em partido político...
Tive duas outras crises muito fortes, tão fortes que nem Lexotan na veia fazia efeito, não tinha nada, apenas eu de mãos dadas com a minha sorte. Não morri graças aos meus pais que agiram rápido, "mais alguns minutos e ela não teria resistido" disse o médico na primeira vez e o que era pra ser uma despedida fez com que eu começasse a enxergar as coisas de forma diferente.
Entrei em processo de depressão várias vezes, me forcei a sair por que não queria me dar ao luxo de sentir pena de mim mesma, encontrei motivos pra viver entre os acordes da minha guitarra e logo em seguida entre  os tons da bateria. Era sempre assim, tocava como se fosse a última vez. Sempre fui carinhosa, mas isso tudo fez com que eu nunca me despedisse sem dizer o quanto amava ou gostava de alguém. Acho que todo mundo deveria fazer isso, dizer o que sente, antes que seja tarde demais.
Passei quase dois anos tomando medicamentos, as crises diminuíram, mas o mal que eu tinha feito para mim mesma no meu desespero, já não tinha mais volta. Mas como diz a minha melhor amiga, Monique Malcher, eu sou "o ritual de ano novo em pessoa", pelo meu não medo de mudanças e isso não quer dizer que eu não exite diante delas, resolvi me reciclar, assim como já me resetei muitas e muitas vezes, sempre quando é preciso. Não tenho cores favoritas, nem uma única música preferida. Posso estar no Rio de Janeiro e no dia seguinte me mudar pra Grécia, ou pra outro país que não esteja em crise, já basta as minhas próprias.
Onde quero chegar?
Não tenho medo de morrer, depois que a gente desmaia não sentimos mais nada. Mas enquanto estamos aqui, permanecer o mesmo é quase um crime. A beleza da vida é se reinventar a cada página virada.