sábado, 26 de fevereiro de 2011

Parecia filme



Parecia filme. Como aqueles de que tanto conversávamos. Parecia música. Como aquelas que costumávamos ouvir. Porém, parecia mais irreal do que todas as ficções que nos aprisionava em nossas mentes tão libertas. No fundo eu não queria que fosse verdade... Mas era. 
Lembro da primeira vez que nos falamos, naquela aula de informática básica, chata, que depois largamos sem exitar. No meu mp3 o que você mais gostava, "Don't go away", era assim a nossa amizade, sempre precisávamos de mais tempo, não queriamos ir embora. Quando tudo parecia perdido para mim, você estava lá pra me fazer acreditar, pra me tornar em poucas palavras, a pessoa mais otimista do mundo. Limpava minhas lágrimas, me fazia sorrir, e o melhor, riamos juntos, não, o melhor de tudo era você me chamando de "Caraihhhhhhh", e de você colocar meu apelido nos nossos trabalhos acadêmicos. Muito mais que um amigo, um irmão fiel e amável. Inesquecível.
Na minha formatura dediquei a música "Don't go away" a você. Você fez parte da minha vida, e continuará fazendo parte de mim. Pedi mais um amigo, ganhei mais um anjo da guarda. Sei que sempre estará comigo. Sempre.

Parecia filme. 



*Dedicado a Nivaldo Saraiva. (+ 25/02/2011)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Apenas tente...



As vezes me lembro de quanto doce foi, e quanto duradouro poderia ter sido. Mas como tudo o que é bom acaba e tudo o que é ruim vem à  tona, coisas aconteceram e então sobrevivi. Percebo que nesse quase um ano o vazio que você deixou em mim, vem sendo carinhosamente invadido por eu mesma. Minha alma em tese, não mudou, mas minha força, essa muda sempre que as lembranças vem me assombrar. Porém, sempre fui uma otimista, e a falta que me fazia, já não é tão intensa, da mesma forma que o beijo de 2 meses atrás não fez minha pele arrepiar, sem sentimento, nada aconteceu, nem mesmo meu peito que costumava bater esquizofrenicamente ao te sentir, não se encheu de sangue, não esquentou. Nada reviveu.

É que as vezes a morte de um sentimento vem para o benefício de outros nascimentos. Não adianta negar, que naqueles meses, deixei teu peito marcado, deixei na tua alma uma parte de mim, mesmo que você negue, eu sempre estarei ai dentro. Por que você vira a cara ao me ver, por que de alguma forma ainda existe algo. E como ódio e amor são apenas separados por uma membrana tênue e algo que não podemos descrever. Não sei se continuo te amando ou te odeio. Mas isso é algo que tento não pensar.
Tente apagar todas as memórias.
Tente.
Apenas tente...

domingo, 30 de janeiro de 2011

1 mês e 15 dias

Um mês e quinze dias. Tempo é algo que passa e vai deixando tudo pra trás, lembranças, sonhos, pesadelos e tudo mais que pode fazer parte de nós. Precisamos nos vender, isto é fato, nos vendemos por tão pouco, um pedaço de pão, um hambuger anemico e um copo de coca-cola 300ml. É isso, nos vendemos por cartões de crédito, por calças skinny, por óculos coloridos, nos vendemos a moda setentista, aos carros do ano, a falsa posição na sociedade de consumo, à um diploma de faculdade, a coisas que nem precisamos para ser feliz, mas nos vendemos, por que? Por que somos animais treinados, não atendemos à um dono, atendemos ao o que achamos que é "normal", ao que nos dizem ser normal e o normal hoje em dia, é se vender. É fumar o cigarro mais caro, é beber a cerveja mais cara, é comprar a roupa mais cara e da moda, é frenquentar restaurante francês, é saber comer com hashi, é dizer que é a favor da legalização da maconha, é fumar essa maconha, é pagar 50 reais para ir em uma boate e ser exposto como um pedaço de carne em um açougue.
Ninguém é sexy por ler Dostoiévski, por assistir Coppola, por admirar Frida Kahlo, por comprar livros, frenquentar sebos, colecionar quadrinhos, por não fumar, por não beber, por se alimentar direito, por abominar tudo o que citei no primeiro parágrafo. Ninguém é o marido ou a mulher perfeita se não usa decote, ou se não tem músculos, por usar all star quando "deveria" usar salto ou por ter um quarto decorado com coisas de HQ aos 24 anos.
Nossos pais nos ensinam as coisas certas, por um tempo acreditamos neles, acreditamos no que é certo, ai vem um monte de informações "certas" e acabam com o trabalho de anos, que eles tiveram para nos educar. Nossos professores passam 9 anos, infância e adolescência de nossas vidas, tentando nos mostrar que a inteligência ainda é o que move este mundo, para esquecer-mos isso em minutos. As vezes parece que tudo é em vão. Mas quando se chega aos 24 anos e começa a perceber que tudo o que negamos era o certo de fato, a única palavra que se encaixa na nossa descrição de ser humano é: IDIOTA!

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sobre reflexos no espelho



Um pouco mais de um ano. Esse é o tempo necessário para se mudar toda uma vida. Enquanto há um ano era apenas uma adolescente irresponsável, agora é uma mulher com faturas em seu nome, responsabilidades, emprego. Há um ano estava perdidamente apaixonada, e tudo parecia perfeito, quando na verdade estava apenas inacabado, e quando tudo parecia completo, faltavam partes extremamente necessárias dentro do seu peito. Naquela época dinheiro não era problema, alias, a falta dele não era, sair com dez reais no bolso, beber, dançar, e voltar porre para casa pra dormir abraçada com quem se amava. Era isso. Uma ilusão, uma história bem contada para si mesmo. É que naquela época só se enxergava o que se queria ver. E aquela dependência crescia como câncer, até que... até que explodiu e a morte chegou, como aquele primeiro beijo, nosso primeiro beijo, que eu nunca esquecerei.
Não, essa não é uma memória póstuma, só quem morreu foi aquela adolescente, morreu pra nascer uma mulher, é que olhando para trás percebo como foi bom tudo isso, todas as lágrimas derramadas por alguém que no final, talvez nunca tenha existido de fato como era na minha cabeça, e agora, sozinha, mesmo que a solidão insista em segurar minha mão enquanto percorro meu caminho, é fato, eu precisava disso, precisava aprender a viver por mim. Por que nem sempre ser altruísta demais faz bem, é que deixar o ego de lado acaba por não nos satisfazer, afinal somos humanos, Eu sou humana! Eu choro, eu sangro, eu morro, e morrer faz parte, parte de um ciclo infindável. É como se pôr entre dois espelhos e ao olhar o seu próprio reflexo, percebe-se que não temos fim.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"Diva"



É que sempre ao apagar o cigarro com a ponta de seu salto já gasto, ela imaginava que tudo poderia ter sido diferente. Mas a realidade era cruel, quase que doentia.
Todos os dias ao acordar, contava os pelas barbas... No fundo ela gostava, sim, gostava, por que seu ego era enorme, e o bolso deles também. Ela era diferente, não era o estereótipo em pessoa, nem se achava “puta” nem “decadente”, na verdade ela uma diva, dona de homens importantes, e de mulheres discretas. Tinha um belo apartamento no centro da cidade, fazia faculdade de um curso cheio de meninas “parecidas” com ela. Mas ela sabia, Ela era a melhor!
Constantemente recebia flores, caixa dos melhores bombons, sabe, daqueles caros e importados com recheio de licor de não sei o quê que rico gosta, bebia vinhos franceses e freqüentava restaurantes e hotéis de luxo. Dirigia um carro do ano, e não se preocupava com as contas, eram todas muito bem pagas.
A noite tinha chegado, seu celular tinha tocado diversas vezes, mas ela já tinha algo marcado. Tinha que estar exatamente as vinte e duas horas na suíte máster do único hotel cinco estrelas daquela enorme cidade provinciana. Ela chegou dez minutos antes, pegou a chave do quarto e subiu, a vista era bastante bonita, ela já a conhecia, então não se importou. Sobre a cama tinha um bilhete, com letras manuscritas, parecia instruções.

“No banheiro irás encontrar um caixa, nela há sais de banho, uma toalha, e um lenço preto.
Prepare um banho com os sais. Não me espere. Enxugue-se com a toalha.
Deixe as luzes fracas.
Nua. Vá até a cama e deite-se e vende seus olhos.
p.s. Há dois cheques na caixa, como combinado. São seus, guarde-os.”

Outra mulher poderia achar que estava lhe dando com um louco, mas depois de ter se vestido até de mulher maravilha para satisfazer o desejo alheio, aquilo não pareceu nada demais. Excêntrico. Mas nada demais.
Seguiu as instruções a risca, guardou os cheques em sua bolsa e fez o resto que estava escrito no bilhete. Vinte minutos depois ouviu alguém entrando no quarto. Sentiu o toque suave de dedos por sua perna, que delicadamente as abriu. Sentiu seu corpo arrepiar, parecia ter milhares e volts passeando sobre sua pele, que suava e sentia como nunca havia sentido, que, que...
Depois. Nenhuma palavra.
“Você ainda está ai?”
Nenhuma resposta.
Olhou por de baixo da venda, ele estava no banheiro. Mas só viu sua sombra. Ouviu um barulho e ajeitou a venda novamente sobre os olhos. Ouviu passos, mas ainda nenhuma palavra, nenhuma respiração. Meia, uma hora, e não ouvia mais nada, até que... seu celular toca, ela tira a venda. Mas um cliente na outra linha. E mais um bilhete sobre a cama.

                                                                      

Nada escrito.
Ela tinha tudo, ela brincava com o mundo, sorria pra tudo, por que achava ter tudo nas mãos, contava as barbas por que eram apenas seus objetos. Nunca havia se apaixonado... Até aquela noite. 

As vezes nos cegamos por puro comodismo, é mais fácil caminhar sem saber a direção, mas quando encontramos o caminho certo enquanto estamos cegos, fica difícil reconhecer o que está bem atrás de nós.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

2.0



Visto que as relações sociais estão cada vez mais virando "relações digitais", estava eu pensando se isso nos torna cada vez mais seres patéticamente acomodados. Parando para analizar, e fazendo uma ponte com a trilogia de filmes Matrix, que é altamente inteligente (isso se você costuma ler algo além dos tweets), nos introduz à uma realidade forçada, imposta por nós mesmos, por nossa preguiça e falta de bom senso. Segundo a história contada no filme, passavamos por uma espécie de frenesi coletivo, nos glorificando por toda tecnologia que criamos, e por todas as coisas "banais" que não precisávamos mais fazer, e assim, criamos os andróides "a nossa própria imagem e semelhança", soa até irônico não é?
Conheço pessoas que ficam conectadas mais de 10 horas por dia, aliás, eu sou uma delas, é que além de trabalhar com internet e tecnologia, eu moro longe, então não sobra muito tempo para estar presente nas rodinhas de amigos, faço isso através do Twitter, é lá que passo a maior parte do tempo expelindo opinião, e como uma boa geek, falando sobre nerdices e coisas legais, como star wars, brushes de photoshop, ou sobre uma nova tipografia que criaram. O twitter é uma ferramenta extremamente peculiar, algo que foi criado para melhorar a interação/comunicação dos funcionários de uma empresa, hoje é instrumento de teses de mestrado, dada a sua funcionalidade sócio informacional.
Pude acompanhar a evolução do mundo digital desde meados de 1997, quando descobri uma ferramente chamada internet, naquela época, pouquissimais pessoas tinham computadores em casa com acesso a rede, pra fazer download de uma música ou uma foto que alguém lhe mandava através de seu "Zipmail" ou "ICQ" demorava uma eternidade de algumas horas, não existia msn, hotmail, orkut, facebook, e as poucas salas de bate papo eram habitadas por "gatinhamanhosa_24" ou "rapazcarente_18cm", isso não era muito legal! Principalmente para uma garota de 12 anos recém completos. Porém foram bons tempos de "quer tc?"
Agora, cada vez mais estamos conectados, praticamente tem um computador em cada lar, e em alguns tem até mais, bendita conexão wireless, que fez eu, papai e o meu irmão parar de brigar por causa de internet, cada um tem o seu pc, todo mundo feliz, mas não para por ai. Estamos na era da rede via celular. Então
dificilmente iremos nos desconectar. E sabe qual é o nosso futuro?
Pois é... nem eu... só espero que não nos transformemos em sedentários Obesos, que não andam e se locomovem com cadeiras flutuantes como no filme Wall.e... Quer dizer... Pra isso só falta as cadeiras flutuantes...

terça-feira, 26 de outubro de 2010

20.1.0

Quero um lugar
Quero fugir
Eu quero estar, mas não tão longe daqui.
Quero somente ler um livro bom
E simplesmente descansar
minhas pernas fracas
minha mente gasta.

E se eu pudesse deitar
Minha cabeça no seu ombro
Você poderia me entender?
Você poderia me convencer?
Não me leve a mal
Eu só quero deitar no colo
quero sentir todos os sonhos
vivos dentro de mim.

E agora que posso ser o que quiser
E enfrentar o que vier
Eu quero então dormir
E acordar
Sem me sentir
Sozinha.